segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O beijo que é só nosso

O beijo que é só nosso. O abraço, o afago, o carinho se perdem em nossos encontros. A atração, o desejo, o prazer e a cumplicidade podem se transformar em nossa rotina. A carne virou corpo e o corpo virou alma, e tudo que era antes uma linha tênue (primos) agora não tem limite, tudo é conveniente e consentido, não há desculpa, distância intransponível, cansaço do mundo, nenhuma dissimulação covarde. 

Um fio de luz do poente entrou em nosso calabouço subterrâneo, onde as sombras do que fomos estão mescladas com as sombras do que não somos ou do que desejamos ser, e podemos. A luz iluminou nosso desejo de ver e ser. 
Reconhecemos as igualdades das diferenças como nos ponteiros do relógio: duas hastes que só funcionam girando no mesmo sentido, solidariamente.
Achamos nosso viço, nossa bossa, nosso estilo, nossa ginga, nosso timming e nosso time, ganhamos a posse de cada um (você tem a minha). Éramos invisíveis, viramos sensíveis. Éramos atores, viramos personagens. Éramos alegoria viramos enredo. Éramos só uma roleta russa, nos tornamos um desafio. Éramos pedreiros do passado, nos tornamos arquitetos do destino. Agora craques, poderemos viciar no jogo de querer um ao outro. 
Está em nossas mãos o pátrio poder de querer amar e ter amor.
JackLigeiro

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